quinta-feira, 17 de junho de 2010

Flash Mobs & Smart Mobs

7) FLASH MOBS & SMART MOBS

* Sarah Ribeiro


“Uma comunidade mundial só pode existir com comunicação mundial que significa algo mais que extensas instalações de software espalhadas sobre o globo. Significa compreensão comum, uma tradição comum, idéias comuns e ideais comuns.”



Robert Maynard Hutchins

Flash mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada. No entanto, estas se dispersam tão rapidamente quanto se reúnem. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social, que quando operados em rede, se cria um volume de conexões capaz de tornar praticamente impossível que se descubra de onde a informação original partiu. Pelas ruas das cidades é cada vez mais normal a agregação de pessoas em um lugar, por um período curto de tempo sem uma causa aparente. O que a primeira vista pode parecer um movimento de pessoas desocupadas, na verdade é uma nova forma de manifestação social.
Uma das principais características é a mobilização constituída por pessoas que são capazes de agirem juntas sem ao menos se conhecerem, cooperando de maneira inédita, porque dispõem de aparatos com capacidade tanto de comunicação, como de computação.
Os dois dos principais tipos de smart mobs mais conhecidas são as smart mobs políticas e as flash mobs, que basicamente são multidões relâmpagos, que são de manifestações de caráter lúdico e hedonista.
No mundo, os flash mobs vêm ganhando cada vez mais aspectos políticos, de mudanças na rotina, modificação do meio urbano e, principalmente, vêm adotando uma posição reflexiva sobre a vida das pessoas. Um exemplo de flash mobs com o propósito de causar reflexão foi organizado, no dia 14 de agosto por um grupo especialista em “flashs” chamado “ Flash Mobs Brasil” na Av. Paulista, em São Paulo. Foi o pijamas day, no qual cerca de 220 pessoas circulavam com pijamas passando pelo semáforo em sinal vermelho durante muitos minutos. De acordo com o organizador Edmond Saab, esta mobilização foi realizada com o objetivo de mostrar o quanto elas são realmente estressadas. Também no Brasil ocorreram mobilizações políticas, organizadas por grupos pequenos de flash mobs. Foi realizado o movimento fora Sarney, porém não houve muita repercussão. Muitas dessas manifestações mostram como o ser humano, graças as novas mídias e a comunicação de massa pode ter sim, uma posição crítica a ser levada a sério ou pelo menos a ser especulada. Quanto a sua situação, um bom exemplo foi o flash contra o projeto de lei do senador Azeredo, e, em Brasília, onde foi organizado um “V de vingança” na sede do governo.
Porém, quando se pensa algo linkado à política, precisa ter muito cuidado em programar, organizar e realizar. Assim, foi organizada também uma mobilização solidária com a participação de 50 pessoas no aeroporto de guarulhos para as vítimas do vôo 447, mesclando o hino nacional da França e do Brasil. Além disso, vestiram 32 camisas, representando as 32 nações que tiveram vítimas envolvidas no vôo.
O engajamento para se “colher” solidariedade também é muito forte no mundo dos smart mobs, com um slogan “Nem só de lazer vive um mobber”: um jovem grupo está arrecadando doações de roupas para as vítimas das chuvas fortes do rio de janeiro, a idéia consiste em reunir durante doze horas, doadores voluntários e cidadãos para interagirem entre si e enviar roupas usadas, calçados e afins para essas pessoas que perderam tudo. O objetivo é gravar um vídeo para que o receptor da doação receba também palavras de conforto.
O primeiro flash mob surgiu em 2003, de pai (na época), desconhecido. Aconteceu em Nova York e conseguiu juntar, por mensagens de celular e internet, 200 pessoas. Reunidos na seção de tapetes de uma loja, todo diziam procurar um “Carpete do amor”.
Dois meses depois, 500 pessoas se reuniram em uma loja de brinquedos da mesma cidade e se ajoelharam diante de um dinossauro gigante em exposição. Anos depois Bill Wasik, assumiu a autoria das aglomerações e disse que o propósito era expor o vazio da cultura contemporânea, sem se preocupar com questões políticas.
Hoje, algumas das mobilizações contam com o patrocínio privado ou são organizadas por empresas. Essa parceria entre publicidade e mobilizações públicas não é novidade. Muitas vezes nos deparamos com modelos associando a sua marca em avenidas movimentas como a Oscar Freire divulgando por exemplo um novo modelo de celular. Estudiosos avaliam que, para as marcas, é atraente associar-se aos flash mobs pois o modelo de propaganda de 30 segundos não funciona mais. Assim a publicidade encontrou um jeito para que as pessoas falem da marca, em vez de a marca falar sobre si, fazendo com o que vire mais atraente e soe mais natural e precisa. A estudiosa Mônica Schieck professora que estuda flash mobs, aprova a assimilação do modelo pela publicidade por que as ações performáticas, característica principal das mobilizações-relâmpago, foram mantidas.
Aqui no Brasil, essa onda de flash mob começou em são Paulo e logo se difundiu pelo país, o primeiro, reuniu pouco mais de 50 pessoas, na esquina da Av. Paulista com a rua Augusta. Quando o sinal abriu, atravessaram a pista, retiraram um dos sapatos e bateram-no contra o asfalto. Um dos flash mobs mais famosos é o pillow fight, que significa guerra de travesseiros, ele é realizado em todo país. Ao contrário dos movimentos sociais tradicionais em que existe uma organização central na coordenação das ações e um líder, nas smart mobs as ações são coordenadas de maneira descentralizada e sem a existência de um líder. Além disso, nas smart mobs não é necessário um grande engajamento com uma causa. Basta apenas participar naquele momento, o vínculo é momentâneo, efêmero diferente dos movimentos sociais tradicionais onde é preciso ter um vínculo e um comprometimento com a causa defendida.
A capacidade de consumir, a velocidade do desenvolvimento das tecnologias digitais e de transmissão levou a um processo de popularização do dispositivo, que o tornou acessível a camadas sociais menos favorecidas cultural e economicamente.
Uma mensagem possa ser enviada rapidamente para um grupo de pessoas e que estas possam redirecionar para outros grupos, e assim sucessivamente, gerando uma rede de informação sem fio, sem origem e sem fim. Na comunicação de massa o espaço compartilhado é dispensável e o tempo da produção da mensagem nem sempre é o mesmo da emissão ou da recepção, exceto nas emissões ao vivo. No caso da conexão via celular, esses vínculos são restabelecidos a partir de uma rede formada por indivíduos que se relacionam de modo pessoal, ainda que forma ampliada.Enfim, as “mobs” são mobilizações que expressam anseios e desejos compartilhados por pessoas que fazem parte de uma mesma rede conectiva, sem necessariamente se conhecerem.

* Sarah Ribeiro - estudante do 3º período de Jornalismo da UniverCidade


Um comentário:

  1. Parabéns aos meus alunos queridos pelo empenho, esforço e organização do trabalho. Acompanhei todo o processo de elaboração deste trabalho e, confesso, fiquei surpresa com a desenvoltura de cada um, bem como a iniciativa em transformar este recorte do significado da Internet para o universo da comunicação. Forte abraço a todos!
    Rio, 17/6/2010 - Professora Rose de Figueiredo

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