quinta-feira, 17 de junho de 2010

Jornalismo Colaborativo

8) JORNALISMO COLABORATIVO: Produção de conteúdo pelos internautas em sites jornalísticos

* Vítor Michalka

“A questão da identidade, hoje, mesmo nos amplos setores populares, é uma identidade poliglota, multi-étnica, migrante, feita com elementos mesclados de várias culturas".



Néstor García Canclini
(1939)

Antropólogo Argentino, nascido na cidade de Prata. Contemporâneo, trata do tema da pós-modernidade e da cultura, levando em conta uma perspectiva latino-americana.


Esta frase define bem o papel que a tecnologia vem atribuindo às pessoas hoje em dia, permitindo que elas utilizem os mecanismos tecnológicos para se comunicarem, onde elas estiverem. Revela-se, portanto, o conceito das “Comunidades Transnacionais”, com códigos que, anteriormente, permitiam definir agrupamentos, mas que, agora, representam, cada vez menos, os da etnia, da classe ou da nação em que nascemos. Quando novos grupos emergem, a nova tecnologia é utilizada para afirmar que todos participem das transformações de um mundo globalizado. Assim, estão, potencialmente, se instrumentalizado a influenciar e a modificar a realidade.



Os usuários da internet já perceberam que, hoje em dia, podem fazer muitas coisas que antes não era nem pensando. A constante evolução da tecnologia proporciona, a todos, a experiência de vivenciarmos os confortos tecnológicos, através de uma interatividade e conectividade global. Tudo instantâneo, rápido e eficaz.
Desde o surgimento do jornal impresso, veio com ele uma a necessidade das pessoas lerem aonde elas se encontrassem e quando quisessem. De uns tempos para cá, essa evolução tecnológica vem se aprimorando, proporcionando uma nova era jornalística. Surgem então, os sites jornalísticos, que de uma forma resumida e direta, apresenta as noticias para os internautas.
O portal de noticias GLOBO.COM, um dos mais famosos sites de entretenimento do Brasil, um site bastante visitado, da inicio a essa nova era no dia 18/09/2006, lançando a sua página G1, uma grade jornalística, seguindo a credibilidade do jornal impresso.
No aniversário de três anos, o G1 aproveitou a data para pedir mais uma ajuda a seus leitores, que, diariamente, já sugerem temas de reportagem, apontam incorreções nos textos e nos avisam de notícias. Criou a famosa chamada: “Presenciou um fato importante? Registrou um flagrante de notícia em foto ou vídeo? Envie sua reportagem para o G1 e seja um repórter cidadão”. Gera-se em torno de 200 comentários semanalmente. A chamada que o site criou deu tão certo que muitos eleitores, repórteres cidadãos, enviam suas sugestões, vídeos e fotos. Como exemplo recente, o registro das chuvas ocorridas no Rio de Janeiro no dia 6/4/2010, onde vários cidadãos puderam, através de seus celulares, enviar ao site, noticias e vídeos mostrando a situação em alguns pontos da cidade. Antes, no entanto, ao enviar o material ao G1, entram automaticamente em contato com o emissor, através do um e-mail que foi anteriormente solicitado e obrigatoriamente registrado. Há, no entanto, uma filtragem pela editoria, que faz uma seleção do que poderá ser publicado no portal, ou não.



Com essa participação do internauta neste jornalismo colaborativo, há oportunidades e riscos para as grandes empresas que se utilizam deste meio interativo de fidelização aos leitores.
Como risco apresentam um excessivo fluxo de informações existente com materiais “dispensáveis”, bem como estão constantemente sob o peso da verificação (ou não) das possibilidades de informações equivocadas ou fraudulentas.
Como oportunidades estabelecem uma imagem positiva, receptiva perante os leitores e, assim, fomentam neles relações afetivas com a organização e até mesmo com a atividade jornalística em si. Também abrem espaço para fontes espontâneas de informação, que podem acabar se tornando essenciais, por exemplo, em novas pautas, reportagens e matérias. Assim, também contam com possíveis “revisores” de conteúdo, além de conseguirem materiais complementares, inéditos ou de difícil acesso.

* Vítor Michalka - estudante do 4º período de Jornalismo da UniverCidade

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